quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um Embrulho

Se eu pudesse dar a ela algo de meu, eu daria meu dia mais belo.
- Mas como eu daria a alguém um determinado dia?
Eu decoraria e escreveria sobre este dia e então, daria a ela!
Seria simples, mas mostraria a minha dedicação a ela. Não seria um presente caro, aliás, seria tão barato quanto um oi ou um olá dado a qualquer pessoa.
Começaria com um céu azul ensolarado, que remeteria minhas lembranças às suas feições brandas e encaloradas. O sol eu poderia comparar ao cintilar colorido de um par de olhos fuzilantes.
Se neste dia eu acordei de bom humor, é fato que se assemelharia ao sorriso tão cativante, quanto sedutor de uma tira de dentes alvos, minuciosamente postos tão bem alinhados. Os lábios cheios de carne e saliva seriam comparados ao meu café da manhã. Sim, meu café da manhã, pois devoro tão igual quanto devoro, com a fome que me aproximo, os lábios que me convidam a banquetear.
Eu daria como um poema, que faço dedicado e entretido, pensando no melhor das palavras e nas melhores palavras, para descrever aquilo tudo que minha mente brincalhona balbucia como o sorriso de uma criança ao ver a água e o brinquedo.
Se neste dia houvesse nuvens, como já disse que não estavam por lá, mas se por acaso houvesse, seriam a névoa de paixão que paira constantemente ao redor do meu peito. Porém se não há nuvens, isto não quer dizer que não há névoa de paixão. Há, numa forma invisível, tal como o vento, aliás, gostaria de chamar de brisa, mas é tão avassaladora quanto a tempestade.
Neste dia, os pássaros que cantam em galhos de árvores, eu os chamaria de declaradores, assim como eu, que não canto, mas declaro meu mais nobre sentimento. A cada nota musical, em um canto alto e revigorante, seria cada palavra que minha boca proferirá, aliás, perdão, já proferiu. Mas assim como os pássaros que não param de cantar, digo que agirei com tamanha rotina encantada.
O anoitecer descrevo como meu êxtase. Para cada estrela que pinta-se num céu negro, uma fagulha queima e estala num fio prateado que liga nossas almas. Nossa conexão é impossível que não se pareça com uma lua cheia. Sim, cheia, por que é tão bela quanto parece e tão grande que ilumina tudo. Ilumina os passos, pensamentos, amores e paixões.
Foi um dia simples, sem grandes acontecimentos, mas foi belo, foi calmo e apaixonante. Tudo tão igual a ela e tudo que vem dela.
Ao deitar-me em minha cama, macia e quente, nu, como me deito no seio dela, lembro de todo o dia que finda na mais linda e exuberante arte.
Ao acalentar-me no travesseiro, bramo o nome dela que rima com a minha pele, que encosta e dá arrepios.
Lá se foi um dia completo e mais uma vez a lembrança que faço dela tomou-me por inteiro, como o dia que ditei sem negar ou omitir. Senti cada lembrança e a lembrança tatuou-se no meu calendário.
Senti, vivi, escrevi. Este seria um dia perfeito a dar a ela.

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